Um medo e uma descoberta...


Sabe, meu maior medo sempre foi a morte. Não pelo fato de não saber o que vem depois, mas pelo fato de que eu sempre gostei tanto dessa vida que independente do que venha depois eu sei que não vai ser isso e mesmo agora escrevendo isso eu sei que se eu pensar muito eu vou sentir o mesmo arrepio que eu sentia quando criança.
Sabe, eu hoje tenho 33 anos, mas eu sinto que grande parte desses 33 anos eu não vivi direito, e só agora na terapia eu estou aprendendo isso, foram anos tentando me encaixar em moldes que não foram feitos pra mim, anos tentando obter a aprovação de pessoas que não estavam presentes para me aprovar e que independente das minhas escolhas estariam ali para me desaprovar, anos em que minhas palavras saiam carregadas de emoção mas minha ações eram tão dominadas pela lógica que não faziam sentindo... Foram anos tentando ser livre sem saber que essas tentativas me levavam mais e mais a ser um prisioneiro.
Eu fingia que não amava coisas quando eu as amava muito e as vezes que amava coisas que eu não dava a mínima, eu dei moral pra pessoas que eu achava bem toscas enquanto não conseguia falar com aquelas que eu admirava, eu escolhia palavras para não magoar os outros, mas me magoava a cada palavra escolhida. Eu, que sempre amei escrever, dizia não ser bom com palavras por que não tinha a coragem de ver o que elas trariam para o papel quando eu as deixasse rolar... Eu passei minha vida quase toda sendo quem eu não era e hoje com 33 anos eu estou ainda começando a aprender quem de verdade eu sou e quem de verdade eu quero ser... Sabe a vida é e vai ser curta, talvez dure 100 anos no máximo e isso perto do tempo que esse mundão tem não é nada, mas quando eu estiver no meu leito de morte, seja amanhã ou daqui a 100 anos eu quero olhar pra trás e ter orgulho de quem eu sou e do que eu conquistei, sabe, que nem naqueles filmes em que a pessoa tem uma segunda chance e ao consertar tudo percebe que a vida que tem já é a certa? Então, desse jeito... Eu só quero me orgulhar do que eu me tornei e me tornar algo que eu me orgulhe... Simples assim... Tá, na verdade difícil para caralho por que isso basicamente significa me desconstruir por completo e me reconstruir de novo quando eu na verdade tenho +/- metade da vida pela frente e metade de um tempo muito curto é algo ínfimo, mas na infinidade da vida um instante pode ser o que a gente precisa para ser quem a gente precisa ser...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Casa Organizada - Thais Godinho

O Capeta-Caolho contra a Besta-Fera - O lado mais seco do Sertão...

Rabiscos