O Dilema da familiaridade
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| Museu Casarão do Pau Preto - Foto por Leonardo Cruz Fotografia |
Eu curto muito o conceito de street photography, sabe, sair nas ruas e fotografar a vida enquanto ela acontece? E eu gosto ainda mais de fotografar arquitetura, prédios, skylines, detalhes, enfim, todo esse cenário urbano tão comum nas grandes cidades, mas eu falo mais sobre isso em outro post, o problema disso é que eu moro no interior, numa cidade que quase não tem prédios desse tipo e onde a vida acontece meio que sem acontecer e isso sempre foi um empecilho (um dos muitos, eu falo sobre isso em outro post...rs) para colocar essa paixão em prática. Ou pelo menos eu sempre pensei assim, até que eu me peguei assistindo um vídeo sobre o Japão, sobre Tokyo pra ser exato, mas não sobre o centro, não, um vídeo mais sobre o subúrbio e eu fiquei encantado com a arquitetura mais simples, as ruazinhas com canais no meio, as casinhas mais simples e ai me veio o estalo, o problema não é que eu moro no interior, o problema é que eu moro em uma cidade pela qual eu não sou apaixonado e principalmente pela qual eu já estou acostumado e familiarizado...
Acho que é aqui o grande dilema, será que a cidade não tem o que eu procuro ou será que eu não procuro por que eu já acho que eu conheço tudo o que a cidade tem para oferecer? Será que se eu deixar a cidade me levar eu não vou realmente encontrar coisas novas? Será que uma pessoa diferente não vê uma cidade diferente? Será que não é esse o problema? Sabe, a gente chega num ponto que tudo vira comum, tudo é familiar, tudo você sente que já conhece e já explorou tudo o que aquilo tinha e ai a tendência é a rotina ou o afastamento, mas será que se a gente não parar um pouco e mudar a perspectiva, será que não é ai que está o segredo para algo novo? Será que quebrando a familiaridade a gente não consegue redescobrir as coisas?
É isso que eu quero fazer, eu quero pegar um filme com 36 poses, me permitir um dia explorando a minha cidade, e tentar encontrar 36 novas perspectivas para coisas que talvez eu já esteja acostumado, quebrar esse ciclo, essa repetição, essa rotina e com isso tentar redescobrir minha cidade e quem sabe encontrar nela algo que eu goste de verdade... E sabe, o mesmo vale pra muitas coisas, aquele amigo de trabalho que você só fala sobre política e é um chato de galochas, pode ser na verdade a melhor pessoa pra trocar receitas. As vezes aquele cara que tu só tromba no bar e que na verdade tu já foge por que não aguenta mais pode ser uma ótima companhia para as corridas. Até mesmo seu trabalho, as vezes eu me pego pensando em como meu trabalho é chato, insignificante e repetitivo e as vezes eu odeio ele, ai passa um tempo e eu vejo que a gente conseguiu resistir a um ataque por causa desse trabalho repetitivo e isso me da um gás extra, sabe? As vezes é isso, tu passa tantos horas, tantos dias, meses, anos ali, na mesma função que ela parece não fazer mais sentido, mas se você não estivesse ali, se a sua função não existisse, será mesmo que tudo continuaria igual?
Enfim, as vezes o que a gente precisa é isso, mudar a perspectiva, ver pelo ponto de vista do outro ou simplesmente um pouco mais para o lado do que a gente costuma ver sempre e talvez isso faça a diferença, talvez isso te faça encontrar o motivo para ficar ou partir, talvez isso de um novo sentido ao seu dia, ou tire ele de vez. Acho que a mudança de perspectiva, a quebra da familiaridade, o ritual que quebra rituais, a simples mudança da rotina, pode mudar completamente o rumo do dia ou quem sabe da sua vida. Tente, vá para o trabalho por um caminho diferente, comece sua caminha pro lado contrário, quebre a rotina que você tem ao chegar em casa, não faça aquilo que você faz sempre e já nem sabe o por que faz, enfim, mude, e não precisa ser uma mudança radical, não... Faça a mesma coisa que faz todos os dias mas de forma diferente, aposto que você vai conseguir ver as coisas de forma diferente!

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