Valve's Artifact: O Card Game que promete mudar o cenário, pra valer!

Esse texto foi originalmente publicado em 05/10/2018 no Quest da Vez.

Guardem bem esse logo...

A Valve dispensa apresentações né? Mas caso o nome não te chame a atenção ela é apenas a responsável por CS:GO, DotA 2, Half Life, Portal, Left4Dead e o pequeno Steam! Não precisamos nem dizer que CS e DotA estão entre os maiores eSports do mundo e que o MOBA figura no topo da lista dos campeonatos com as melhores premiações, certo? Então também não é de estranhar que quando uma empresa desse nível anuncia o lançamento de um Tcg (com ênfase no T de trading) com foco no eSport e com o dedo de ninguém mais, ninguém menos do que Richard Garfield, o criador de Magic: The Gathering todo mundo fique maluco querendo saber as novidades, né? Ainda mais depois do próprio Richard ter dito que ele se interessou em criar um novo jogo quando percebeu que o Magic não funcionava na versão digital. E com o lançamento previsto para o final do mês, já está na hora da gente conversar um pouco sobre quão grande pode ser o impacto desse game pro cenário dos card games.

Assim como no MOBA, em Artifact você tem três lanes de jogo.

Antes de falar sobre o impacto, vamos falar sobre o jogo em si, né? Em Artifact, você constrói um deck com 40 cartas, sendo 5 delas heróis, logo no começo do jogo você já distribui três heróis entre as lanes (um em cada), cada lane funciona como um jogo separado, porém as cartas podem trocar de lane e também existem interações entre as lanes. Cada uma tem um torre que precisa ser destruída (a torre tem 40 pontos de vida), se duas torres forem destruídas você ganha o jogo, porém, ao destruir a torre o Ancient do adversário aparece naquela lane com 80 de vida, destruindo ele você também vence o jogo. Os heróis são cards bem poderosos, assim como em DotA, eles retornam pro jogo após morrer, e os buffs (equipamentos ou magias que "modificam" o herói) continuam nele, ou seja, ele vai voltar cada vez mais forte. Uma rodada termina quando ambos os jogadores passam seus turnos em todas as três mesas, cada eliminação realizada rende ouro e no final do turno a loja aparece te oferecendo itens que podem ser comprados com esse ouro, após as compras dois creeps aleatórios aparecem em lanes aleatórias e você pode reposicionar os heróis mortos. Não existe limite de unidades na mesma lane, ou de cartas na mão. Ah, e se você reparar na imagem abaixo, um pequeno diabrete fica em cima do seu deck e interage com você o tempo todo, te jogando as cartas que você vai comprar, gesticulando feito doido quando o tempo está acabando, reagindo aos ataques que você sofre e até mesmo carregando seu deck de uma mesa pra outra, eles chegam a lembrar personagens da Pixar de tão bem animados e expressivos, e é claro que a gente pode esperar uma chuva de skins pra esse bichinhos, né? O jogo me parece muito estratégico, fazer um herói morrer numa lane pra reposicionar ele em uma que ele faça mais estrago, interagir entre as lanes, buffar os heróis até não ter como parar eles, entre outros são coisas que vão acontecer muito, e com 3 jogos diferentes ao mesmo tempo e apenas uma mão de cartas, as coisas começam a ficar bem interessantes. Sem duvidas vai ser um jogo bem difícil no começo, mas recompensador quando você for um pro.

Olha esse diabrete que coisa mais fofa! Olha esses gráficos que lindos!

Bom, agora que nós já conhecemos o game, vamos ao que interessa, qual será o impacto dele? Um dos pontos que a galera mais reclama sobre os TCGs digitais é o fato de que você investe dinheiro neles e não pode tirar esse dinheiro de lá depois, as cartas vão ser suas enquanto o jogo durar, mas o dinheiro você não vai ver nunca mais, a Valve já disse que quer que os cards em Artifact sejam iguais aos de Magic, ou seja, você vai poder trocar, vender e comprar a vontade e vai sentir que seu dinheiro não vai ser perdido caso desista de jogar, pode parecer uma promessa vazia, mas ei, você já ouvi falar das skins de CS:GO e dos valores que elas são capazes de chegar? Já viu os cards que você ganha jogando os jogos no Steam e como é fácil trocar e vender eles pelo próprio Mercado do Steam? Se analisarmos a Valve já preparou tudo pra esse sistema de trocas ser excelente e indolor pra todo mundo, o que vai fazer muita gente ter uma vontade maior de investir grana no game. "Ah Drugue, mas ai é Pay to Win né? Se já viu o preço absurdo das skins de CS?" Sim, eu já vi o preço absurdo da skins de CS e a Valve já disse que isso não vai acontecer com os cards, vão sim existir edições exclusivas, com arte alternativa ou "assinadas" pelos Prós que ai sim podem alcançar valores absurdos, mas tirando a aparência, elas não vão ser nada diferentes das cartas normais. E sobre ser Pay to Win, bom, todo TCG é né? Quem coloca mais grana, tem as melhores cartas, ou pelo menos a possibilidade de abrir mais boosters e conquistar as melhores cartas, isso não tem como , mas tanto Richard Garfield quanto Gabe Newell já disseram que o poder das cartas não vai estar relacionado ao valor ou a raridade e que cards mais comuns vão custar centavos. Isso é algo bom, e também acontece com o Magic, cartas como Raio, Investigador de Segredos e Tempestade Cerebral são exemplos de cards comuns que tem um nível de poder bem interessante a ponto de serem quase obrigatórias em certos decks. Acredito que a experiência da Valve com o Mercado e de Garfield com o equilíbrio do jogo vai ser o suficiente para manter a parte de Trading do jogo bem equilibrada e entregar para os jogadores essa parte que faz tanta falta em TCGs digitais. Ah, detalhe, não adianta nada ter as melhores cartas e não saber pilotar o deck, certo? Então pode ter certeza que muitas vezes é melhor ter cartas ruins mas uma boa habilidade pra usar elas, do que ter cards excelentes e nem saber o que esta fazendo...

A arte dos cards é linda e bem consistente com o mundo de DotA 2. Quero só ver essas cartas especiais que eles prometeram.

Mas e o competitivo? E a parte de eSports? Artifact pode chegar a ameaçar Hearthstone e Magic nesse ponto? Sim, pode e vai! Se a comunidade gostar e abraçar o game ele vai MUITO! Não é de hoje que os ProPlayers de Magic reclamam das premiações baixas, no ultimo mundial rolou até um boicote de um Pro em protesto a essas condições e apesar da Wizards of the Coast estar mostrando um movimento para melhorar isso, não vai ser algo muito rápido, com isso a gente vê uma migração de jogadores para outros jogos, seja Poker ou Hearthstone, que tem premiações mais significativas, e como a Valve não brinca em serviço ela já avisou que o primeiro Major de Artifact vai ter a bagatela de 1 Milhão de dólares em premiação, e já avisou que parte da venda dos boosters vai ser revertida para as premiações, assim como acontece com DotA 2 que alcança níveis próximos dos 25 Milhões em seu mundial. Claro que não é só de premiação que um eSport se faz, né? Mas a Valve também não é nenhuma iniciante e normalmente seus campeonatos tem um suporte muito bem construído, então não é difícil esperar algo parecido por aqui. Além disso, por se tratar de um game digital a facilidade para treinar, trocar cards e criar estratégias tende a ser muito maior, você até tem o MOL para o Magic e Hearthstone é online, mas a interface complicada do MOL e o fato do HS não permitir trocas podem ser pontos a favor desse novo adversário. Grandes streamers e Prós de outros jogos já estão com o beta em mãos e não medem esforços para rasgar elogios quanto a estratégia necessária aqui, isso conta muito a favor também. Mas um ponto contra é que o jogo promete ser bem complexo, o que pode não atrair tantos expectadores em um primeiro momento, mas conforme a popularidade crescer, isso tende a deixar de ser um problema, ou assim esperamos. Com trocas bem estruturadas, uma boa estratégia de ligas, campeonatos e premiações milionárias a única coisa capaz de barrar o avanço do jogo é a baixa aceitação do publico, por que de resto, eles tem a faca e o queijo na mão.

As artes estão verdadeiramente lindas, não é de se estranhar, né? Ninguém quer um card game feio.

Bom, já deu pra perceber que eu estou levemente empolgado e realmente esperando muito desse jogo né? Confesso que não espero que eu vá participar do competitivo, e eu vou falar mais sobre isso semana que vem, mas ainda assim vou adorar acompanhar o crescimento desse novo TCG e o que ele vai mudar no mercado, acho muito difícil que uma produção nesse nível, com essas pessoas envolvidas e tanto planejamento assim (quem conhece o relógio da Valve, sabe do que eu estou falando) vá ser só mais um joguinho, ele vai fazer barulho, seja pro bem ou pro mal, e vai servir de exemplo pra quem já está no mercado e pra quem ainda vai querer entrar nele. É difícil prever o que efetivamente vai acontecer após o primeiro ano de Artifact, mas eu espero poder escrever um texto falando sobre como as coisas mudaram pra melhor depois desse lançamento! Vai com tudo Valve, alcance os céus e leve todos os card games junto com você!

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