Uma prateleira cheia de nada para fazer...
Esse texto foi originalmente publicado em 11/07/2018 no Quest da Vez.
Eu sempre fui apaixonado por essas "coisas de nerd", eu aprendi a ler com os gibis da Turma da Mônica, então logo cedo eu queria comprar todos os gibis possíveis, principalmente depois do primeiro do Homem-Aranha que eu li, que foi só um do Carnificina em que o Venon era pendurado em cima de uma fogueira, coisa linda...rsrs Depois foram os livros e então eu comecei a querer comprar jogos, ao invés de só alugar, como eu fazia sempre, com o tempo isso só piorou, RPGs, Miniaturas, Boardgames, bonequinhos (e nem me venha falar que o nome é Action Figure...rs), mais consoles e jogos e de repente eu percebi que eu tinha me tornado um colecionador de coleções, praticamente tudo que eu via e curtia eu queria ter pra mim e isso não melhorou muito quando eu casei, já que minha esposa também tinha esse problema de coleções. Mas um belo dia eu comprei alguns livros das Crônicas de Fogo e Gelo (Game of Thrones pra quem não conhece os livros) e quando fui guarda-los na prateleira percebi que eles não cabiam ali, foi então que eu tentei arrumar um espaço e no final o espaço não era tão bom assim, com o tempo o livro caiu da prateleira e rasgou feio a capa, aquilo foi tipo um tiro pra mim, minha coleção estava arruinada, como eu poderia guardar um livro com aquele tipo de defeito? E foi então que eu percebi que livros físicos não cabiam mais na minha vida...
Os livros digitais já estavam lá faz tempo, eu tinha um Kindle guardado a alguns meses já, mas eu era apegado ao físico, eu gostava de ter o livro, de sentir a capa, o cheiro, a textura do papel, de pegar o livro da estante, ler e guardar ele ali de novo, limpo e imaculado, aguardando a próxima vez que eu iria lê-lo, mas é ai que está o problema, eu acabava nunca voltando a ler aquele livro, ele ficava lá, pegando pó, ocupando espaço, me impedindo de comprar um novo livro e me dando a sensação de que estava estragando com o tempo e a poeira. Eu coloquei na cabeça que não ia mais comprar livros físicos e permaneço com isso até hoje, já tenho uma pequena coleção no meu Kindle e com o tempo pretendo voltar a comprar alguns da minha estante nele também. O legal é que essa minha mudança pro digital não afetou em nada o habito da leitura, eu continuei gostando de ler e lendo o mesmo tanto e no fim os digitais, muitas vezes são até mais confortáveis, já que você elimina o peso de certos calhamaços de mais de 1000 páginas e isso me fez pensar: Por que não migrar de vez pro digital? Tipo, tudo!
Eu já não comprava mais HQ's há algum tempo, mas serviços como o ComiXology e o Crunchyroll Mangá me fizeram voltar a consumir essas mídias, assim além de me economizar o tempo que eu passaria correndo atrás de uma banca que ainda tenha o gibi que eu quero (acredite, aqui na minha cidade a distribuição é terrível, pra completar Complexo de Messias dos X-Men eu tive que ir direto na distribuidora pegar o ultimo numero por que não mandaram pra nenhuma banca) ainda me economizava espaço. Livros de RPG foram o próximo passo, os meus já estavam pegando poeira na estante por falta de uso e o custo dos digitais é infinitamente menor nesse caso, então o desapego foi fácil. Bonequinhos não tem como passar para o digital, mas eles meio que me desencantaram, eu acho lindo, queria todos, mas com o valor deles eu compro coisas que eu vou usar pra mais do que meras decorações, então eu deixo esse hobby pra minha esposa que adora, principalmente os de Anime. Os cards vieram em seguida, cheguei a voltar a comprar os de Magic, mas os horários dos campeonatos aqui na minha cidade me afastou dele, fui pro MOL (Magic OnLine) e pro Pokémon TCGO e foi mais uma coisa que me libertou, agora as trocas eram bem mais fáceis, haviam campeonatos disponíveis a todo momento, eu só precisava separar um tempo e jogar, fora que, o nível competitivo do Mol é algo absurdo, então foram só vantagens, mas ainda tinha um item na minha coleção que eu não conseguia abrir mão: Games.
Sim, games. O que deveria ser o mais fácil, já que a biblioteca do Steam está gigante e, acredito eu, todos os grandes lançamentos saem simultaneamente no físico e no digital em todas as plataformas, justo os games que liberam pre-loading e muitas vezes o cara que compra digital já esta jogando muito antes da gente que compra o físico sequer ter a chance de colocar a mão no jogo... Justo os games que são os itens mais digitais da coleção de itens físicos... Mas é difícil, eu gosto de ter a caixinha, a mídia, ver as artes, ler os manuais e... Bom, é ai que o problema começa, hoje em dia a coisa mais broxante é você abrir a caixa de um game e ter só a mídia ali, sem extras, sem manual, sem nenhum panfletinho fazendo uma graça, e continua com o fato de que muitas vezes o jogo nem esta ali direito, já que ao colocá-lo no game temos que baixar mais uma tonelada de gigabytes de atualizações e patches, ai você junta isso com o fato de que as edições de colecionador nem chegam aqui no Brasil e quando chegam vem a preços proibitivos e nós temos a destruição da magia dessa última parte física das minhas coleções... Sim, eu ainda amo jogos físicos! Sim, eu pretendo protegê-los! Mas a real é que está começando a não compensar, ter a caixinha ali na prateleira virou só um item de decoração também, o jogo em si não está mais ali, e se você juntar isso a serviços como a Gold e a Plus que dão jogos digitais de graça todo mês, ou ainda os Game Pass da vida e você vê que tudo está te empurrando para o consumo digital. É triste mas infelizmente não tem como resistir por muito mais tempo...
A verdade é que o mundo está indo para um caminho digital e lindo, até certo ponto. Todos os benefícios do digital tem também seus problemas, se o serviço do qual você comprou tudo acabar, como você fica? Os livros e jogos que você baixou continuaram lá, mas e os outros? E se você estiver sem conexão e quiser jogar/ler algo? Os itens são realmente seus, ou eles são simplesmente emprestados para você até que você cancele o serviço? Essas duvidas sempre acabam sendo respondidas lendo aqueles termos gigantes que ninguém lé, mas, né? mrs Eu confesso que apenas uma coisa me segura comprando jogos físicos, o fator revenda, eu não costumo vender livros ou HQs, mas as vezes eu compro aquele jogo que não consigo nem encostar e o fato de eu poder revender ele me faz continuar comprando jogos físicos, mas eu estou aos poucos me livrando daquela necessidade de ter uma cópia física de tudo, jogos como Mad Max e Bloodborne que foram dados na PSPlus já estão riscados da minha lista de desejos. Porém, ainda fico na vontade de ter aqueles jogos que marcaram a infância, ou aquela série que é a minha favorita, então...
Verdade seja dita, toda paixão existe com um fim, a minha é consumir esse conteúdo, seja ele físico ou digital, então, aos poucos eu estou me educando a consumi-lo da forma que ele vier até mim. Eu não estou aqui para dizer que você deve fazer o mesmo, que deve vender todos os seus jogos, livros e cards (até mesmo por que eu não fiz isso com os meus...rs) e viver de conteúdo digital, muito pelo contrário, se você ama sua coleção e faz questão de comprar a mídia física de tudo, você tem muito mais do que o meu apoio, até mesmo por que, certas coleções só podem existir na mídia física. Mas dependendo do caso, as vezes a mídia digital vai poder te ajudar a passar o tempo, enquanto não obtém a mídia física, afinal de contas, é melhor uma prateleira digital cheia de conteúdo do que uma física cheia de nada para fazer...






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