Review - Atypical
Esse texto foi originalmente publicado em 07/11/2018 no Quest da Vez.
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| Sam e sua família: Difícil não dizer que ele é o único "normal". |
Não é de hoje que a Netflix é sinônimo de séries fodas né? Apesar de um erro ou outro a chance de um novo sucesso pintar por lá é quase certo, mas num mundo cada vez mais corrido e violento é bem raro a gente encontrar uma série leve, que traz aquele calorzinho que a alma precisa as vezes pra sobreviver, pois é ai que no meio de tudo surge Atypical, uma série que apesar de tratar de um assunto importante e pouco abordado, pessoas com Transtorno do Espectro Autista, traz esse clima leve e gostoso que faz com que os 30 minutos dos episódios passem sem que você perceba e você só quer saber de mais um episódio para continuar com esse clima gostoso.
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| Em momento de conflito, Sam se fecha em seu moletom. |
Atypical conta a história de Sam (Kier Gilchrist), um rapaz de 18 anos que possui Transtorno de Espectro Autista, e de sua família, Elsa (Jennifer Jason Leigh) a mãe superprotetora que apesar de fazer tudo pelo filho tem todos as inseguranças e incertezas pela condição dele e dá suas escorregadas de vez em quando, Doug (Michael Rapaport) o pai carinhoso que no entanto não aceita tão bem a condição de seu filho e Casey (Brigette Lundy-Paine) a irmã que faz de tudo pelo irmão e muitas vezes só quer viver "uma vida normal". Sam leva uma vida consideravelmente normal, ele tem as suas manias como repetir os nomes dos pinguins do ártico e brincar com um elástico quando está nervoso ou se fechar em seu moletom para se sentir protegido e não lida muito bem com muito barulho, porém, tirando isso leva uma vida normal, ele vai a escola, trabalha, tem boas notas e um bom desempenho no trabalho, apenas seu relacionamento interpessoal é que precisa de um pouco mais de progresso e é pensando nisso que sua terapeuta Julia (Amy Okuda) sugere que ele encontre uma namorada e esse é o plot da primeira temporada, em que Paige (Jenna Boyd) acaba se tornando a "Namorada Treino" de Sam, enquanto isso Elsa acaba tendo um caso em uma das escapadas para "ter uma vida normal" e Casey, que é uma corredora excepcional, se vê tendo a chance de ir para uma escola particular para competir por ela, garantindo um "futuro melhor" porém, ela não sabe se terá a coragem de abandonar seu irmão na escola atual.
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| Casey é sem sombra de duvidas o maior apoio de Sam e, como toda irmã, ela é também quem mais pega no pé dele. |
Com o sucesso da primeira temporada, não era difícil imaginar que uma segunda seria feita, né? E nessa segunda temporada nós temos a difícil decisão de Sam entre ir para a Faculdade ou não, a jornada de Casey na escola particular e os problemas no casamento de Elsa e Doug após a descoberta do caso dela. A segunda temporada é ainda mais bacana, pois trás ainda mais momentos marcantes e decisivos para cada personagem. Sem dar muitos spoilers, apesar de já ter dado alguns, a série se trata de conviver com as diferenças, como é difícil aceitar até mesmo quando a diferença está em nossa própria família, mas principalmente a série trata de como todo mundo é diferente, aos poucos cada personagem da série vai mostrando que pode ser até mais "estranho e problemático" do que o próprio Sam e muitas vezes ele é a voz da razão em meio a caos que tudo se torna. Sam é um personagem tão sensível e sem malícia e sua visão do mundo é tão simples e bonita que você percebe que talvez ele seja o único normal nesse mar de loucura, você se pega percebendo que os surtos dele muitas vezes são muito mais certos do que os surtos de outros personagens ditos "normais", você torce por ele e fica realmente chateado quando algo ruim acontece e é ai novamente que a série brilha, mesmo nesse momento difíceis a sensibilidade de Sam faz com que as coisas mais horríveis não pareçam tão ruins assim e é ai que você sente que talvez nem tudo no mundo esteja perdido e é isso que da esse quentinho no coração e faz você querer ver mais um episódio e mais um e mais...
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| Page, a namorada de treino: Ela deveria ajudá-lo a melhorar seu relacionamento interpessoal, mas é ela quem acaba precisando da ajuda de Sam. |
Atypical é sem sombra de duvidas uma das séries mais gostosas de assistir que saíram nos últimos tempos, arrisco a dizer que muitos vão dizer que é A melhor série que a Netflix já lançou, as interpretações são brilhantes, Kier Gilchrist que da vida a Sam o faz de forma tão brilhante que você realmente acredita em cada problema que ele passa e em cada verdade que ele fala na lata, os atores de sua família e até mesmo os atores de apoio são tão bacanas e todos com suas características e estranhezas únicas que fazem a série ser realmente viva. Não preciso nem dizer que eu recomendo MUITO a série para todo mundo né? Principalmente se você está precisando de uma certa fuga desse mundo maluco pra um lugar onde você vai se sentir bem e acolhido, corra pros braços de Atypical e seja feliz, as temporadas estão disponíveis na Netflix Brasil e eu espero mesmo que não demore muito para a terceira temporada (que já está confirmada! \o/) vir com tudo, eu quero muito ver como a série vai continuar com todas as novas experiências propostas no final da segunda temporada.




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