Review - Anon - Falta de privacidade é bom ou ruim?
Esse texto foi originalmente publicado em 03/12/2018 no Quest da Vez.
Imagine um mundo onde a privacidade já não existe mais, onde cada pessoa tem cada passo seu, gravado por um sistema e a policia tem acesso irrestrito a esse sistema, resolvendo assim crimes de maneira fácil e rápida, simplesmente consultando o ponto de vista do criminoso ou do suspeito, ninguém mais é anônimo, todo mundo é facilmente identificável, mas no meio desse mundo nós também temos Hackers, capazes de alterar um pouco o programa para fazer com que seus registros mostrem coisas um pouco diferentes do que estava realmente acontecendo e se mantendo assim fora do sistema, mas o que fazer quando você finalmente se depara com alguém anônimo e certos assassinatos começam a acontecer, assassinatos em que as vítimas começam a ter a perspectiva do próprio assassino antes de serem mortas? O que fazer quando o anonimato passa a ser o inimigo?
Anon é um Thriller de Ficção Científica britânica lançado em 2018 pela Netflix, escrito por Andrew Niccol (Gattaca, O Terminal e O Senhor das Armas) o filme conta a história de um detetive (Clive Owen) em um mundo sem privacidade, ele se depara com uma garota (Amanda Seyfried) que aparentemente está "fora do sistema" e junto com isso, uma série de misteriosos assassinatos em que a vítima vê a si mesma momentos antes de morrer passam a ocorrer e parecem estar relacionados com essa garota e... Bom, é basicamente isso...rsrs Desculpe decepciona-los, mas apesar do calibre dos atores e do roteirista, a trama do filme é bem rasa e deixa bastante a desejar, além de, na minha humilde opinião, se vender de maneira muito errada no trailer.
O mundo de Anon é sensacional, e acho que é ai que mora o problema do filme, ele tem um mundo tão interessante, com tantos elementos a serem explicados e explorados que tudo acaba ficando só na superfície, quando você realmente queria mergulhar de cabeça nele. Além disso, o filme se vende como um super filme de ação, e não é nem de longe o que entrega, as cenas de ação são sim excelente, principalmente quando entra em jogo o sistema e as coisas ficam um pouco diferentes da realidade, mas elas são tão poucas que você acaba esquecendo delas. A interpretação dos personagens é até bacana, mas os relacionamentos são tão rasos que você não se preocupa ou se emociona quando algo acontece com algum deles, fora que alguns relacionamentos acontecem de forma tão rasa que tu fica meio tipo o meme do John Travolta, sabe, sem fazer ideia do que está acontecendo... A fotografia é linda de se ver, tudo parece muito certinho e dentro da caixinha, como se por estarmos sendo observados a todo momento tudo fosse padrão.
Anon parece uma grande introdução a um mundo fantástico e frustra por no final parecer só isso mesmo, uma introdução. Se compararmos com outro filme no mesmo estilo, Minority Report por exemplo, nos percebemos o quanto falta em Anon para realmente te pegar e te prender, apesar do alto calibre dos atores e do roteirista, o filme peca por ser raso e por tentar explicar demais quando na verdade poderia simplesmente mostrar e fazer acontecer. Como está disponível na Netflix ele vale o tempo gasto para assistir, principalmente por levantar bem essa bandeira da privacidade ser um direito do qual abriríamos mão ou não por um "mundo perfeito", mas infelizmente fica só nisso mesmo... Quem sabe se tivermos mais filmes no mesmo universo não consigamos tirar esse gosto amargo de quero mais da boca...




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