Esse texto foi originalmente publicado em 22/10/2018 no Quest da Vez. |
| Essa imagem de divulgação da versão de PS4 é simplesmente foda! |
2064: Read Only Memories foi lançado sem muito alarde em 2015, chegou aos consoles em 2017 e é um dos jogos gratuito da PS Plus desse mês. Eu lembro de ter conhecido ele pela excelente analise do meu amigo
Tiago de Alencar (
Link) e ela começava com a seguinte frase: "
O poder de contar histórias sempre foi uma das mais valorosas formas de entretenimento da humanidade. Em quase tudo que nos cerca, seja nos contos infantis que ouvimos (ou contamos), músicas, livros, filmes e jogos possuem alguma narrativa por trás. Por sua natureza interativa, videogames são meios especialmente poderosos para se contar histórias, especialmente por meio de gêneros como adventures point-and-click." e até hoje eu acho que não existe uma forma melhor de começar uma análise de 2064 do que com essa frase por que o que a
MidBoss fez aqui com maestria foi exatamente isso, nos contou uma história sensacional.
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| Turing, o pontinho azul mais simpático que você já conheceu! |
Em 2064 nós somo um personagem, um jornalista meio lobo solitário que ainda usa um PC pré-histórico e se importa tanto com tudo que não arruma tempo nem pra consertar a pia da cozinha que já está ganhando vida de tão suja. Um belo dia, ao acordar nos deparamos com um simpático robozinho azul de nome Turing, ele é um ROM (Relationship and Organizational Managers), o que normalmente iria dizer que ele era apenas um assistente pessoal/agenda eletrônica de ultima geração, mas não esse, Turing foi criado por um grande amigo nosso Hayden e nos procura por que esse nosso amigo está em apuros e nós somos estatisticamente os mais indicados para ajudar, logo nesse primeiro diálogo já é fácil se apaixonar por Turing e querer de verdade ajudá-lo a descobrir quem sequestrou Hayden e por que o fez, mas nós também descobrimos que ele é a primeira ROM sapiente, ou seja, o próximo passo rumo a singularidade e esses são os plots iniciais do jogo, como ajudar nosso amigo sequestrado e como fazer a sociedade aceitar ou não um AI inteligente de verdade.
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| TOMCAT: A Hacker mais foda que você vai conhecer. Detalhe básico pra
essa pixel art maravilhosa a esquerda e para as opções de diálogo. |
O game é um point-and-click clássico, com um menu de opções que me lembrou muito Full Throttle, ao interagir com a maioria dos objetos você pode Olhar, Falar, Tocar ou Usar um Item nesse objeto, em alguns casos algumas dessas opções não estão habilitadas, mas normalmente você pode fazer isso com basicamente todos os objetos que aparecem na cena. O jogo se passa em capítulos, e todos eles são dias rumo ao Natal. A cidade é Neo-São Francisco, uma cidade futurista maravilhosa, carregada em neons, pessoas com implantes cibernéticos e híbridos de homens e animais, ou seja, é o mundo dos sonhos das distopias Cyberpunk. Nossa progressão se da através puzzles simples, do tipo pegue o objeto aqui e leve ali, e diálogos, esses apesar de sempre te levarem ao caminho correto tem algumas opções e apesar de não muito impactantes para o final do jogo, influenciam certos acontecimentos e seu relacionamento com alguns personagens, e é aqui pra mim que mora o melhor do jogo, nenhum dos personagens principais é vazio, cada um deles tem uma personalidade e uma história bem definidos que faz com que você queira saber mais sobre eles e ajudá-los. São poucos os puzzles realmente desafiadores, mas esses são bem divertidos e esses sim tem o poder de interferir nos finais do jogo.
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| Jess, a pessoa mais agressiva que você vai conhecer na sua vida. |
A arte do game é sensacional, é um pixel art lindo nas cenas, mas que salta aos olhos nos diálogos, momentos em que uma versão em uma maior resolução do rosto dos personagens aparece na tela e ela é tão viva e cheia de expressões que é difícil não se identificar com eles. A escolha de cores e temas para cada área do jogo também da todo um toque a mais para o game e pequenos detalhes como a luz do Dual Shock mudar de cor para cada personagem é um detalhe a mais que realmente vale ser mencionado. A trilha sonora é outro show a parte, carregada de sintetizadores, ela dita bem o tom da cena e vai da musica clássica a batida pesada em cenas tensas e funciona tão bem que em uma das cenas mais tranquilas eu acabei até cochilando um pouco...rs Mas ainda assim é uma trilha sonora maravilhosa. Outro ponto a ser destacado é que a maior parte dos personagens e 90% dos diálogos são dublados e com um trabalho de dublagem fantástico, as vozes dos personagens principais vão se tornando inconfundíveis conforme o jogo progride e te faz se sentir ainda mais próximo deles. Mas, como nem tudo são flores, alguns puzzles irritam um pouco, principalmente o dos drinks no bar, apesar de ter uma solução lógica até que fácil, eu li que a maioria da galera acabou indo na tentativa e erro e me parece que acaba dando certo também viu...rs Mas somando isso, aos longos diálogos e a falta de decisões realmente impactantes no andamento do game a gente vai ter um jogo que não vai agradar a todos.
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| Um dos puzzles do game, esse realmente é bem desafiador e divertido. |
Apesar de parecer apenas mais um jogo cyberpunk, 2064 é na verdade um jogo sobre aceitação, sobre ser diferente e lutar pelos seus direitos e isso vai ficando cada vez mais claro conforme o jogo vai caminhando, cada personagem que você encontra, mesmo aqueles que parecem bobos ou irritantes, vão pouco a pouco se abrindo com você e se mostrando bem mais densos e com histórias bem pesadas e esse mundo futurista lindo vai se tornando mais sujo e negro. Você percebe que os velhos preconceitos ainda estão ali e que novos são criados a cada dia, cada nova tecnologia vem carregada com uma escolha, e normalmente ela envolve ser aceito. Até mesmo pessoas que se submetem a certas tecnologias para salvar suas vidas acabam sendo alvos e a felicidade do jogo vai se esvaindo aos poucos. O que quebra esse tom mais sombrio é o próprio Turing, apesar dele ser o personagem principal do jogo e um dos que você mais se preocupa se vai ser aceito ou não, ele é também tão sensível e sem malícia que tudo o que você mais quer é protegê-lo desse mundo maluco e cada vez que algo ruim acontece com ele você fica querendo tentar mudar algo pra que ele volte a ser aquele pontinho azul animado do inicio do jogo.
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| Starfucker e Oli: Dois personagens que a cada aparição ganham mais a sua
simpatia e vão se mostrando não ser exatamente o que você acreditava...
Fica no ar... |
No fim das contas, 2064 é sobre preconceitos, aceitação, identidade de gênero, é sobre como tudo o que é diferente vai sempre gerar uma estranheza e como, no final das contas, você pode sim mudar o mundo com pequenas ações. Você termina o jogo com esperança e querendo muito viver esse futuro em que todo mundo tem seus ROMs, pra ser sincero eu quero é um Turing pra mim. Esse foi o game 10 de 2018, mas vou falar pra você que ele deveria ter sido o game 1 por que realmente vale super a pena, pela história, pela arte, pela musica e principalmente pelos personagens extremamente cativantes, mas não tem como negar que a jogabilidade e os puzzles deixam um pouco a desejar. Se você tem PS Plus é obrigatório que tu experimente esse game, mas caso tu não tenha, ai ainda assim vale super a pena, porém talvez valha a pena que tu espere uma promoção.
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