Less is Now (Minimalismo Já)

Eu não posso dizer que sou um minimalista, mas sou bem fã das ideias que não foram criadas, mas foram largamente espalhadas por Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus e principalmente eu sou muito fã da ideia de ter uma vida com mais significado e menos coisas, mas é mais fácil ser fã do que agir, né?rs Bom, a verdade é que minhas pilhas de coisas sem utilidade já me incomodavam faz um tempo e quando a Netflix anunciou Minimalism, o primeiro documentário do "The Minimalists" com Matt D'avella na direção eu corri assisti e curti muito o conceito que estava sendo exposto ali, a gente realmente acumula muitas coisas e vive para ter as ultimas trends que depois acabam jogadas na nossa casa, isso é um puta desperdício de tempo e dinheiro, mas algumas coisas ficaram óbvias pra mim já nesse documentário (e só ficaram mais óbvias quando eu comecei a acompanhar os textos e podcasts deles), apesar do minimalismo ser um conceito global os Minimalists falam pra uma audiência bem especifica, eles focam o americano classe média-alta que está de saco cheio de trabalhar só pra comprar coisas e pode se dar ao luxo de largar o emprego para perseguir uma vida "mais simples".

Isso dito eu tenho que dizer que eu estava um tanto quando com o pé atrás com Less is Now, o levante que tomou conta do pessoal que produz conteúdo sobre produtividade contra esse documentário foi bem grande, alguns tiraram o dia nos stories do Instagram pra falar bem mal sobre ele e constatar o óbvio, que ele foi feio para o "americano classe média-alta que está de saco cheio de trabalhar só pra comprar coisas e pode se dar ao luxo de largar o emprego para perseguir uma vida "mais simples"", sim... Pois é... Algumas outras criticas bem graves foram feitas, como de que o documentário é machista, de que ele não leva em conta a classe social das pessoal, que fala mal de pobre e principalmente sobre a parte em que o Joshua mostra como foi lidar com as coisas da mãe após o falecimento dela, foram criticas tão pesadas que eu deixei as criticas darem uma assentada na minha cabeça pra só então assistir o documentário, e... bom... acho que a gente assistiu documentários diferentes viu...



Uma coisa é fato, Less is Now é um vídeo muito bem feito que novamente expressa as mesmas ideias que já foram mostradas no primeiro documentário, temos depoimentos diferentes, diferentes especialistas, mas a ideia e a os conceitos são literalmente os mesmo, então se você já assistiu o primeiro e acompanha o trabalho deles, talvez não tenha nada de novo no documentário. Ele é sim, muito bem construído, muito bem estruturado e vai explorando cada conceito do todo conforme ele vai sendo apresentado, intercalando com depoimentos, entrevistas com especialista e claro, um pouco da história dos Minimalists e isso torna a 1h de documentário bem leve e divertida de assistir. Eu sinceramente gostei bastante do que eu vi, principalmente por que eu estou em um momento em que a "montoeira" de coisas está novamente me incomodando muito e eu preciso fazer um desapego urgente, então ver as minhas preocupações materializadas ali no doc fez muito sentido comigo e me deixou muito em paz comigo mesmo para fazer esse desapego.

Sobre as criticas, bom, eu sinceramente não vi esse preconceito com o pobre, tem sim algumas frase um pouco pesadas, mas que são apenas um reflexo da mágoa que ambos tem da infância deles, ambos cresceram em lares bem complicados, cheios de problemas e abusos (físicos e de substancia) ao ponto de em certo ponto do documentário o Joshua dizer que uma de suas primeiras lembranças da sua infância é a de sua pai apagando um cigarro aceso no peito nu de sua mãe e a de sua mãe trocando os "tickets de comida" por dinheiro para poder comprar bebida e satisfazer o vícios, dito isso a parte mais criticada, que é a que eles dizem "Quando você é pobre, tudo o que te oferecem você pega", não me pareceu tão dura, eu cresci em uma família que apesar de nunca ter dinheiro sobrando, também não passou por muitas necessidades (um dia eu conto esse história), mas mesmo a minha família tinha essa ideia de "vai que um dia a gente precisa" e com isso sim, tudo o que era "bom" e ofereciam a gente pegava e guardava pra "um dia", então visto o ambiente que eles cresceram realmente não me pareceu uma critica tão pesada. Sobre o machismo, bom, eu não sou a pessoa ideal para opinar sobre, mas sim, no documentário por várias vezes é ressaltado como as mulheres tem "muitas roupas, muitas maquiagem, muitos produtos" e sim isso tem esse viés machista já que basicamente esse ter muitos é uma construção da sociedade, então sim, eu acredito vendo por esse lado o documentário é um pouco machista sim.

Sobre o fato dele ser para "o americano classe média-alta que está de saco cheio de trabalhar só pra comprar coisas e pode se dar ao luxo de largar o emprego para perseguir uma vida "mais simples"" como eu disse, sim ele é focado nesse povo mesmo, não tem o que fazer, é o público no qual os dois faziam parte e é o publico que acompanha eles, como é que vai ser focado em outro publico, sabe? Ai uma das criticas foi de que o documentário prega que você precisa reduzir resíduos e fala pra fazer isso "tomando um café de um micro-lote de um pequeno produtor, moído na hora e feito em um método de preparo gourmet", bom, primeiro que eu não vi e isso rolar, segundo que sim, ambos dizem a plenos pulmões que o sonho deles é ser barista, então é normal que eles preguem esse tipo de coisa, mas ainda que eles falassem isso no doc é óbvio que não é pra todo mundo e nem pra todo dia, veja bem, eu sou o doido do café, eu tenho moedor, tenho pelo menos uns 6 métodos diferentes de infusão e preparo e amo fazer esse "ritual" do preparo do café, mas eu faço nos finais de semana quando eu tenho tempo para isso... Nos dias de semana eu acordo as 6 da manhã para preparar tudo pra ir pro trabalho, a ultima coisa que eu vou me preocupar é com café gourmet e óbvio que isso se torna ainda mais evidente se pegarmos o exemplo que foi usado para critica que é a do morador da periferia de São Paulo que tem um trajeto de três horas até o trabalho no centro, ganha um salário mínimo e as vezes não tem nem café para tomar de manhã... Olha, assim, eu acho que se ele muitas vezes não tem nem café pra tomar de manhã, realmente a ultima coisas que ele vai se preocupar é com café gourmet, né? Então sei lá, me parece uma critica social importante, porém que não casa nem um pouco com o que é falado no documentário, muito pelo contrário...

Agora vem a parte que mais me incomodou, eu vi muita gente criticando a forma como o Joshua lidou com a morte da mãe... Bom, não é novidade pra ninguém que acompanha o trabalho deles que ele não tem o melhor relacionamento com a mãe, provavelmente proveniente dessa infância problemática, mas pelo que o pessoal comentou eu imaginei que ele fosse chegar na casa da mãe e jogar tudo fora e... Pra variar não é nada disso, ele diz que chegou lá, chamou amigos e família para ajudar a separar as coisas, contratou um caminhão por que ia levar tudo para casa, mas ai se tocou de que a mãe dele não estava ali, não estava nas coisas, então ele separou alguns objetos que faziam sentido para ele ter com ele e sim, se desfez de todo o resto, inclusive tem uma cena no documentário dele mostrando algumas coisas que ele guardou e eu sinceramente senti carinho ali, não esse desprezo que a internet espalhou que ele teve. Eu sou suspeito para falar por que eu perdi meu pai, e não fiquei com nenhum objeto dele a não ser um riscador de metal, uma ferramenta alemã que ele adorava, meu pai era ferramenteiro e usava muito essa ferramenta, então pra mim foi o que fez sentido, mas você sabe o que realmente ficou comigo do meu pai, todas as lições que mesmo da forma errada ele me deixou, todos os momentos que a gente passou junto e principalmente a ultima noite que ele esteve comigo, noite na qual ele veio até meu quarto, sentou lá comigo e ficou me vendo jogar Uncharted 3 enquanto a gente conversava sobre coisas aleatórias da vida e sobre o jogo, esse momento, que nenhum objeto consegue representar, é a memória mais viva que eu tenho do meu pai, então pra mim, se tudo o que fosse dele acabasse indo pro lixo, ele ainda estaria vivo nessa memória.

Resumindo, acredito que Less is Now sofreu com o fenômeno da internet em que tudo o que é famoso é ruim, o Josh e o Ryan falam sobre as mesmas coisas que essas pessoas que tanto os criticam falam, mas como eles estão ali na Netflix é mais fácil tacar pedra, pra mim muitas das criticas ao documentário são infundadas e muitos dos críticos já se contradisseram ao fazer vídeos e/ou posts que dizem a mesma coisa que esse doc diz após fazerem duras criticas a ele, então, bom, pra mim, Less is Now é um ótimo filme, excelente pra quem não conhece o minimalismo e ainda melhor pra quem está com aquele incomodo persistente sempre que vê alguma pilha de coisas pela casa. É fato que nem todo mundo quer ou vai se minimalista, mas também é fato que muitos dos princípios dos quais eles falam fazem muito sentido e ressoam com que já está incomodado com o acumulo, eu recomendo super, mesmo se você também tiver caído nessa bolha de criticas ao filme, assista e tire suas próprias conclusões, elas podem ser bem diferentes do geral.


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