Japão e o mundo dos Game Centers

Esse texto foi originalmente publicado em 13/07/2018 no Quest da Vez.

Crane Games dividem espaço com os mais novos card games, com direito a muitas luzes e muito barulho.

Quando pensamos no Japão uma coisa é certa de vir a mente: Tecnologia, e sim, o país tem muita tecnologia em tudo quanto é canto, mas pra mim a primeira coisa que vinha a mente eram Arcades, eu sabia que o mercado que está praticamente morto aqui no Brasil era vivo e forte por lá, eu só não imaginava o quanto...

Quem cresceu na década de 80/90 com certeza tem lembranças de algum "fliperama", sejam lojas especializadas, os centros de diversões de shoppings, ou até mesmo aquele botecão da esquina que tinha uma ou duas máquinas pra faturar um extra, mas é fato que todo mundo acabava jogando um pouco e eu era maluco por essas máquinas, gostava de testar as mais novas, passava horas com meus pais jogando pinballs e apostava muitas fichas nas máquinas de luta, mas os consoles se popularizaram e essa cultura murchou e morreu, hoje em dia a gente só consegue encontrar arcades em poucas, bem poucas mesmo, lojas especializadas e em um ou outro shopping, que sempre vai focar na criançada, deixando máquinas excelente de lado por não serem adequadas a essa faixa etária, o que faz com que fiquemos sem a grande maioria das novidades.

Eu, como fã da franquia, não podia perder a oportunidade de jogar Time Crisis 5 né? Ainda mais que esse tem 2 pedais!

Mas no Japão a coisa é bem diferente, máquinas novas são lançadas toda semana, e eu cansava de ver vídeos de YouTubers mostrando essas novidades nos tão sonhados Game Centers, então é claro que ao chegar lá eu já fui procurar o mais próximo do apê e amigos, o que eu encontrei foi LINDO, em um shopping pequeno que basicamente tinha um McDonald's e uma Daiso (a famosa loja de 100 yens ou "1,99 do Japão") havia um Game Center de 3 andares repleto de máquinas, de Street Fighter II até novidades como Pokken Tournament e Final Fantasy Dissidia. E além dessas nos tínhamos de tudo, máquinas que precisavam de baralhos para serem jogadas, "pods" que simulavam cockpits de robôs gigantes com direito a um sonzão e uma tela que pegava praticamente toda a frente do cockpit, cartões de save para você não perder seu progresso, preferências e itens desbloqueados, cadeiras confortáveis pra você aproveitar a jornada e claro as famosos U.F.O. Catchers as "máquinas de pegar bichinho" mas que lá tem prêmios que valem muito a pena e realmente entregam os prêmios.


E foi ai que eu percebi a diferença, enquanto o Brasil sempre considerou esse tipo de diversão como coisa de criança ou de "marginal", o Japão vê aquilo como um hobby válido, é normal ver jovens saindo da escola e indo passar a tarde nos Games, ou ainda pessoas já com seus 40 anos se reuniam após o trabalho para uma partidinha amistosa, senhores ostentando seus cabelos brancos se divertiam junto com essa galera toda. Os Game Centers são um ponto importante na cultura deles, é um meio de se divertir, mandar o stress embora e se reunir com os amigos, tudo isso por um preço bem acessível, em média as máquinas custava de 100 a 200 ienes que basicamente dá 1 ou 2 dólares mas máquinas mais antigas como Street Fighter II saia por míseros 10 ienes. Esse valor amigável, a possibilidade de sair de lá com prêmios e as vezes até com dinheiro (se Pachinko for sua área), faz com que eles estejam sempre cheios, a ponto de algumas máquinas mais disputadas (Love Live! e Dissidia Final Fantasy que o digam) terem até marcação de fila.

Luigi's Mansion também tem arcade!

O ambiente, apesar de parecer estranho ao primeiro olhar, já que normalmente é mais escuro e um tanto quanto barulhento com todas as máquinas funcionando, é muito aconchegante e uma vez lá dentro você não quer mais sair, confesso que eu e a Liih passamos bastante tempo e gastamos uma quantia considerável neles e te digo que faríamos tudo de novo. Eu só me arrependo de não saber Japonês a fundo para experimentar algumas máquinas mais complexas que exigiam um certo nível de compreensão da língua para jogar, mas algumas eram tão bonitas que eu não ligava de passar um tempinho só vendo a galera se divertir nelas, o ambiente era tão contagiante que eu inclusive comecei a jogar Love Live! no celular...rs

Um pouco das muitas máquinas de "garra" que tomam alguns andares dos game centers.

Enfim, minha paixão por arcades foi recompensada em cada um desses que nós visitamos no Japão e foi muito gostoso reviver essas memórias da infância dentro desses Game Centers, e ainda mais gostoso ver que, mesmo longe pakas, eu tenho um refugio pra viver a nerdice dos arcades caso eu esteja realmente muito necessitado. E claro que uma experiência dessas muda a gente né? E pode ter certeza que em breve vocês vão poder acompanhar por aqui o resultado dessa experiência! :D

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