A Queda e Ascensão da Big N: Como o Switch trouxe a gigante de volta aos holofotes

Esse texto foi originalmente publicado em 10/04/2018 no Quest da Vez.

A Queda



Nintendo sempre foi um nome que lembrava grandeza, não é estranho que a mesma tenha ganhado o título de Big N durante suas épocas áureas, é difícil conhecer alguém que nasceu nos anos 80 que não tenha aproveitado tardes a fio em volta do NES ou do Super NES e é ainda mais provável que essas mesmas pessoas tenham se divertido no mundo 3D de Super Mario 64 e se emocionado ao ver The Legend of Zelda: Ocarina of Time, porém com a chegada do Game Cube, principalmente nas terras tupiniquins onde o comércio de jogos paralelos reinava soberano, a gigante japonesa se viu ofuscada por seus rivais. O Playstation 2 era um sucesso absoluto e no horizonte aparecia uma ameaça verde que viria a brigar de igual para igual no ocidente.

Foi então que surgiram os primeiros rumores do Revolution, o vídeo game da Nintendo que viria para quebrar barreiras e que seria uma nova forma de jogar. Muitos já ficaram malucos, os gráficos que estavam sendo apresentados pelas concorrentes somados a toda essa revolução que estava sendo prometida era exatamente o que todo mundo queria. Porém não foi bem isso que recebemos… A revolução estava lá, os controles do Wii (Nome final do Revolution) eram incríveis, a nova forma de jogar encantava da criança a vovó e deixava os “gamers” com uma pulga atrás da orelha, mas os problemas começavam com o fato dos gráficos serem bem abaixo da média e continuavam com muitas Third Parties que  não sabiam explorar em sua totalidade esses novos paradigmas, tínhamos então um console com excelentes jogos First Party, que traziam o ápice do entretenimento, e jogos apenas ok de thirds, que em sua maioria te faziam chacoalhar os controles e fingiam que isso era algo legal. O Wii foi um sucesso de venda de Hardware, praticamente todo mundo tinha um em casa, mas as reclamações estavam em todos os lados e rapidamente eles passaram a ser apenas o segundo console de todos.

Eis que surge o rumor de uma nova versão do Wii, que teria um controle com uma tela e traria o mesmo estilo de jogo que já fazia tanto sucesso no DS e no 3DS para as TVs, a dúvida principal era como ele seria. Era apenas uma atualização que seria plugada no Wii? Um console totalmente novo? Uma mistura dos dois? Seria compatível? Bom, as respostas para essas perguntas iam cada vez mais decepcionando os compradores, era um console novo, não compatível (ele iria rodar os jogos do antecessor, mas o contrário não seria possível), que trouxe um grande controle com tela que em um primeiro contato deixava a jogatina confusa e mesmo jogos que já estávamos acostumados mudavam muito. O WiiU mais uma vez acabou sendo apenas o segundo console de muita gente e infelizmente não chegou nem perto do sucesso estrondoso de seu antecessor, mas ele deixou uma mensagem muito clara, a Nintendo estava procurando seu próprio caminho nessa indústria e para alguns especialista Wii e Wii U foram apenas testes para algo grandioso, mas o que seria esse algo grandioso?

A Ascenção

Nintendo Switch: Esgotado em todas as lojas no Japão.

Já tínhamos um controle de movimento incrível, com uma precisão bacana (que ficava ainda melhor com o Motion Plus) e que apesar de 90% das pessoas dizer que não queria ficar “se mexendo para jogar” logo recebeu versões das concorrentes, e tínhamos um controle com tela, que novamente não era exatamente o que todos procuraram, mas era uma ideia incrível, e se juntássemos tudo isso? E se os controles de movimento fossem refinados a quase perfeição? E se a tela do controle o transformasse em um portátil que você pudesse levar para qualquer lugar e continuar jogando os jogos de alta definição que você jogava em casa? E se esse console tivesse um poder de processamento muito próximo dos consoles caseiros atuais e disputasse praticamente de igual para igual com eles? Bom, se você juntasse tudo isso, você teria o Switch, o console que foi anunciado em uma live, com poucos minutos e mostrando apenas um trailer, mas que já foi o suficiente para trazer uma vontade de jogá-lo a todos que viram a live, uma nova revolução estava vindo, e ela não estava ali para brincadeiras, mas será que até o lançamento aquela revolução toda ainda se manteria? Será que teríamos jogos pra acompanhar tudo aquilo? As third parties comprariam a ideia e trariam seus jogos pra essa plataforma ou seria como o Wii U?

Um pouco mais de 1 ano após o lançamento do Nintendo Switch o que temos é a perspectiva de um futuro brilhante, filas e mais filas a cada reposição de estoque, console esgotado na maioria das lojas, jogos e mais jogos brilhantes sendo lançados e elogiados a cada mês, pérolas como The Legend of Zelda: Breath of the Wild e Mario Odissey dividindo o palco com surpresas como Mario + Rabbids: Kingdom Battle, pessoas se divertindo e sorrindo em volta do console e mais uma vez a Nintendo de volta aos holofotes, sendo mostrada como uma das grandes e tendo seus jogos em destaque. Mas o que deixa os verdadeiros fãs da Big N felizes é que parece que finalmente as pessoas começam enxergar a Nintendo com os olhos que ela quer ser vista, como uma fabricante de sonhos, de sorrisos, de diversão, ela vai sim sempre andar na contramão, trazer novidades que nem sempre vão ser bem vistas, mas se pararmos agora para olhar pra trás podemos ver que mesmo sendo consoles excelentes Wii e Wii U foram testes, aprimoramentos de uma tecnologia que tornaria possível o lançamento do Switch e a volta dos sonhos e dos sorrisos. A Nintendo é isso em sua essência, uma fabricante de jogos e brinquedos e, sejam eles digitais ou analógicos, uma coisa é certa, eles sempre vão conseguir tocar a criança que vive dentro de cada um de nós e essa criança vai ficar muito feliz de sair para brincar.

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