Review: Twilight Struggle - Toda a tensão da Guerra Fria na sua mesa

Esse texto foi originalmente publicado em 05/02/2014 no Leiteria.


O ano é 1945. O mundo se recupera após a pior guerra que a humanidade já presenciou, e tudo o que precisamos é de um pouco de paz e, ao que tudo indica, é o que irá ocorrer. Porém, duas superpotências não pensam assim. Os Estados Unidos da América (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) aproveitam o final da Segunda Guerra Mundial e dão inicio à guerra que ficou conhecida como Guerra Fria, um conflito de ordem política, militar, tecnológica, econômica, social e ideológica que durou 44 anos, tendo como ponto final a extinção da URSS.

Não sou um fã de guerras, mas acho fascinante a estratégia, a logística e toda a inteligência necessária para que essas aconteçam, e uma guerra que durou 44 anos e não chegou a ter um conflito direto é uma excelente guerra para ser estudada… E o que é melhor para estudar um conflito do que um ótimo boardgame? Esse é Twilight Struggle, um card driven wargame lançado em 2005 pela GMT Games, e que atualmente ocupa o primeiro lugar no ranking do BGG.

 

 

No jogo, assim como foi na guerra, a batalha é pessoal. Apenas dois jogadores, um controlando a URSS e outro os USA. O jogo é feito em 10 turnos, cada turno é dado em um número X de jogadas (6 no começo, indo para 7 no meio da guerra e 8 no final), e em cada jogada o jogador deve escolher uma carta para que seja realizado seu evento ou para que seus pontos sejam convertidos em pontos de operação. O que diferencia TS é que existe apenas um baralho com eventos para os dois lados então, eventualmente, você terá que usar uma carta que favorece o oponente, e é aí que a estratégia entra. Sempre que você jogar uma carta da sua Superpotência, você pode escolher se vai realizar o evento (lembrando que alguns eventos só são realizado uma vez e, após acontecerem, a carta é removida do jogo) porém, ao jogar uma carta do oponente, você ganha os pontos de operação e o evento OBRIGATORIAMENTE ocorre – salvo se não existir a possibilidade dele ocorrer. Nesse, e só nesse caso, o evento não ocorre. Os Pontos de Operação podem ser usados para Golpes de Estados (reduzir a influencia do adversário em um país e eventualmente colocar influência sua), para rodadas de realinhamento (que apenas reduzem a influência do adversário, porém, não adicionam pontos seus), para adicionar influência em qualquer pais ao qual você esteja presente ou que seja adjacente a um país que você tenha presença ou para avançar seu marcador na corrida espacial.

 

Pois é, o jogo é tão temático que até isso está presente. Corrida espacial é uma ótima forma de descartar eventos que ajudam o oponente e, além disso, a cada avanço você ganha novas “habilidades” e pontos de vitória. Outro ponto que deve ser destacado é o marcador de DefCon, ou seja, o quão próximo o mundo está de uma guerra nuclear. Alguns eventos e qualquer golpe de estado em um país que seja um “campo de batalha” irá aumentar o DefCon e, com ele, o risco da guerra nuclear. Se a guerra nuclear estourar no turno de um jogador, ele automaticamente perde o jogo.

 

 

Até a pontuação é temática, pois ela trabalha como um cabo de guerra. Quando você marca 2 pontos, se o oponente for pontuar na próxima rodada, ele primeiro irá tirar os seus dois pontos, e só então irá marcar um ou mais para ele – algo que sempre te deixa tenso e precisando pontuar. Isso sem falar que cada carta jogada é baseada em um evento real da guerra e tem efeitos no jogo exatamente como teve no mundo real. TS é a perfeita simulação histórica da Guerra Fria, com a diferença que você pode reescrevê-la. O jogo, que pode durar 3 horas tranquilamente, é tão envolvente que faz com que o tempo jogado nem seja sentido e, a cada movimento, a tensão é tão grande que pode ser cortada com uma faca. Como deu para perceber, o jogo não é para jogadores casuais, principalmente porque conhecer cada um dos 3 baralhos (early, mid e late war) é MUITO importante para a estratégia, o que faz com que você queira se dedicar a ele. Eu joguei apenas uma partida, mas ela foi tão tensa e envolvente que me fez virar fã do jogo. É um game obrigatório pra qualquer um que goste da história da Guerra Fria e, para qualquer um que queria se dizer “conhecedor de boardgames”, podem ter certeza que essa não será a ultima passagem dele por aqui…

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